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Arquitetura de Restaurantes Japoneses

A história dos restaurantes japoneses no Brasil se mistura à história da Imigração. Os primeiros foram as próprias pensões de imigrantes. Mais tarde, alguns se estabelecem no bairro da Liberdade, em São Paulo. Por décadas, foram comandados por japoneses e serviam quase que exclusivamente aos descenndentes.

A arquitetura desses primeiros restaurantes lembrava a de bares populares do Japão – apertados, mas erguidos por carpinteiros e marceneiros genuinamente japoneses. Cabe lembrar que grande parte dos imigrantes era de origem humilde, escolarizados e de alta qualidade técnica, mas sem grande formação estética.

No fim da década de 1970, a culinária japonesa inicia seu aculturamento, e ocidentais começam a frequentar seus restaurantes. Com os anos 1980, vêm o início da troca de comando para a segunda geração de imigrantes e o boom da culinária japonesa.

Nesse contexto, há uma grande confusão dos descendentes que não conheciam a real estética japonesa e dos ocidentais que a conhecem de imagens étnicas equivocadas. Resumem-na a adereços como lanternas e paredes vermelhas! Mas que casa japonesa tem uma parede vermelha?!

Equivocam-se com a cor da representação do Sol Nascente à cartela de matizes cromáticas que são ricas aos japoneses: os tons de terra, o verde e o azul profundos. O equívoco se repete até hoje em restaurantes onde há garçons e sushimens de túnicas com ideogramas e fitas na testa à la Karate Kid. Tudo culpa de Hollywood!

O espaço que o arquiteto cria não pode ser mais importante que a refeição. O espaço ideal passa desapercebido, mas oferece a atmosfera perfeita. A arquitetura deve ser sensorial.

Há décadas, o minimalismo japonês imprime influência significativa no Ocidente. A dualidade e a tensão dos espaços vazios são a alma da estética japonesa – o vazio não é algo faltante, mas a tensão que preenche o espaço. Em sua próxima incursão a um restaurante japonês, procure ler o espaço com essas óptica. O sabor será outro.

(matéria escrita por Naoki Otake para a revista HASHITAG . 10/12)

Arquitetura Sukiya de Naoki Otake

A arquitetura tradicional japonesa, conhecida como Sukiya Kenchiku, originou-se das construções destinadas à cerimônia do chá, que tem aspectos quase religiosos.

Essas construções foram levadas para o Japão por mestres budistas e, com a aceitação pela sociedade, foram incorporados pela nobreza. As primeiras casas de chá eram muito humildes. Tinham apenas quatro tatames e uma porta baixa, onde você entrava curvado, quase em reverência. As pessoas que estivessem lá dentro eram consideradas iguais, tanto faz se eram samurais ou agricultores. Ela tem muito desse caráter da simplicidade, de humildade.

Esses traços eu incorporei na minha arquitetura. Eu não gosto de traços rebuscados ou extremamente decorativos, que tenham muitos adereços. Meus projetos são limpos em termos de quantidade de linhas, procuro fazer com que a própria arquitetura seja rica sem que sejam necessários o uso de decorativismos.

A arquitetura que faço hoje é contemporânea, cujos traços remetem ao estilo Sukiya. Da arquitetura tradicional, eu gosto muito do tipo de material utilizado, das texturas, das proporções. Eu, porém, transporto tudo isso para os dias de hoje, de forma que é possível ser feita na nossa realidade.